Versos Portuguese Casimiro de Abreu Perfumes e amor

Portuguese poem

Perfumes e amor

by (1839–1860)

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A flor mimosa que abrilhanta o prado Ao sol nascente vai pedir fulgor; E o sol, abrindo da açucena as folhas, Dá-lhe perfumes - e não nega amor.

Eu que não tenho, como o sol, seus raios, Embora sinta nesta fronte ardor, Sempre quisera ao encetar teu álbum Dar-lhe perfumes - desejar-lhe amor.

Meu Deus! nas folhas deste livro puro Não manche o pranto da inocência o alvor, Mas cada canto que cair dos lábios Traga perfumes - e murmure amor.

Aqui se junte, qual num ramo santo, Do nardo o aroma e da camélia a cor, E possa a virgem, percorrendo as folhas, Sorver perfumes - respirar amor.

Encontre a bela, caprichosa sempre, Nos ternos hinos d'infantil frescor Entrelaçados na grinalda amiga Doces perfumes - e celeste amor.

Talvez que diga, recordando tarde O doce anelo do feliz cantor: - "Meu Deus! nas folhas do meu livro d'alma Sobram perfumes - e não falta amor!"