Portuguese poem
Sangue de africano
by Castro Alves
Aqui sombrio, fero, delirante Lucas ergueu-se como o tigre bravo... Era a estátua terrível da vingança... O selvagem surgiu... sumiu-se o escravo.
Crispado o braço, no punhal segura! Do olhar sangrentos raios lhe ressaltam, Qual das janelas de um palácio em chamas As labaredas, irrompendo, saltam.
Com o gesto bravo, sacudido, fero, A destra ameaçando a imensidade... Era um bronze de Aquiles furioso Concentrando no punho a tempestade!
No peito arcado o coração sacode O sangue, que da raça não desmente, Sangue queimado pelo sol da Líbia, Que ora referve no Equador ardente.