Portuguese poem
Sub Tegmine Fagi
by Castro Alves
A MELLO MORAES
A andorinha, que é a alma — pede o campo, A poesia quer sombra — é o pyrilampo... P′ra voar... p′ra brilhar.
Meu Deus! Quanta belleza nessas trilhas... Que perfume nas doces maravilhas, Onde o vento gemeu!... Que flores d′ouro pelas veigas bellas! Foi um anjo co′a mão cheia de estrellas Que na terra as perdeu.
Aqui o ether puro se adelgaça... Não sobe esta blasphemia de fumaça Das cidades p′ra o céo. E a Terra é como o insecto friorento Dentro da flor azul do firmamento, Cujo calix pendeu!...
Qual no fluxo e refluxo, o mar em vagas Leva a concha dourada... e traz das plagas Coraes em turbilhão, A mente leva a prece a Deus — por perolas, E traz, volvendo após das praias cerulas, — Um brilhante — o perdão!
A alma fica melhor no descampado... O pensamonto indomito, arrojado Galopa no sertão.
Qual nos steppes o corsel fogoso Relincha e parte turbulento, estoso, Sólta a crina ao tufão.
Vem! Nós iremos na floresta densa, Onde na arcada gothica e suspensa Reza o vento feral. Enorme sombra cae da enorme rama... É o Pagode fantastico de Brahma Ou velha cathedral.
Irei comtigo pelos ermos — lento, Scismando, ao pôr do sol, n′um pensamento Do nosso velho Hugo. — Mestre do mundo! Sol da eternidade!... Para ter por planeta a humanidade, Deus n′um cerro o fixou.
Ao longe, na quebrada da collina, Enlaça a trepadeira purpurina O negro mangueiral... Como no Dante a pallida Francesca, Mostra o sorriso rubro e a face fresca Na estrophe sepulchral.
O povo das formosas Amaryllis Embala-se nas balsas, como as Willis Que o Norte imaginou.
O antro — falla... o ninho s′estremece... A Dryade entre as folhas apparece... Pan na flauta soprou!...
Mundo estranho e bizarro da chimera, A fantasia desvairada gera Um paganismo aqui. Melhor eu comprehendo então Virgilio... E vendo os Faunos lhe dansar no idylio Murmuro crente: — eu vi! —
Quando penetro na floresta trisie, Qual pela ogiva gothica o anthiste Que procura o Senhor, Como bebem as aves peregrinas Nas amphoras de orvalho das boninas, Eu bebo crença e amor!...
E á tarde, quando o sol — condor sangrento, No occidente se aninha somnolento, Como a abelha na flor... E a luz da estrella tremula se irmana Co′a fogueira nocturna da cabana, Que ascendéra o pastor,
A lua — traz um raio para os mares... A abelha — traz o mel... um threno aos lares Traz a rola a carpir....
Tambem deixa o poeta a selva escura E traz alguma estrophe, que fulgura, P′ra legar ao porvir!...
Vem! Do mundo leremos o problema Nas folhas da floresta ou do poema, Nas trevas ou na luz... Não vês?... Do céo a cupola azulada, Como uma taça sobre nós voltada, Lança a poesia á flux!...