Versos Portuguese Castro Alves Um raio de luar

Portuguese poem

Um raio de luar

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Alta noite ele ergueu-se. Hirto, solene. Pegou na mão da moça. Olhou-a fito...

Ela estava gelada, como a garça Que a tormenta ensopou longe do ninho,

Tomou-a no regaço... assim no manto Apanha a mãe a criancinha loura,

Apartou-lhe os cabelos sobre a testa... Pálida e fria... Era talvez a morte...

Pendeu-lhe sobre os lábios. Como treme No sono asa de pombo, assim tremia-lhe

E como o beija-flor dentro do ovo, Ia-lhe o coração no níveo seio

Morta não era! Enquanto um rir convulso Contraíra as feições do homem silente

Dir-se-ia que antes a quisera rija, Inteiriçada pela mão da noite

Um momento de bruços sobre o abismo, Ele, embalando-a, sobre o rio negro

Nesse instante o luar bateu-lhe em cheio, E um riso à flor dos lábios da criança

Qual o murzelo do penhasco à borda Empina-se e cravando as ferraduras

Um calafrio percorreu-lhe os músculos... O vulto recuou!... A noite em meio

— "Ouço agora... da noite na calada Uma voz que ressona cava e funda...

E calados ficaram, mudos, quedos, Mãos contraídas, bocas sem alento...