Versos Portuguese Cesário Verde Esplêndida

Portuguese poem

Esplêndida

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Ei-la! Como vai bela! Os esplendores Do lúbrico Versailles do Rei-Sol! Aumenta-os com retoques sedutores. É como o refulgir dum arrebol Em sedas multicores.

Deita-se com langor no azul celeste Do seu landau forrado de cetim; E os seus negros corcéis que a espuma veste, Sobem a trote a rua do Alecrim, Velozes como a peste.

É fidalga e soberba. As incensadas Dubarry, Montespan e Maintenon Se a vissem ficariam ofuscadas Tem a altivez magnética e o bem-tom Das cortes depravadas.

É clara como os pós à marechala, E as mãos, que o Jock Club embalsamou, Entre peles de tigres as regala; De tigres que por ela apunhalou, Um amante, em Bengala.

É ducalmente esplêndida! A carruagem Vai agora subindo devagar; Ela, no brilhantismo da equipagem, Ela, de olhos cerrados, a cismar Atrai como a voragem!

Os lacaios vão firmes na almofada; E a doce brisa dá-lhes de través Nas capas de borracha esbranquiçada, Nos chapéus com reseta, e nas librés De forma aprimorada.

E eu vou acompanhando-a, corcovado, No trottoir, como um doido, em convulsões, Febril, de colarinho amarrotado, Desejado o lugar dos seus truões, Sinistro e mal trajado.

E daria, contente e voluntário, A minha independência e o meu porvir, Para ser, eu poeta solitário, Para ser, ó princesa sem sorrir, Teu pobre trintanário.

E aos almoços magníficos do Mata Preferiria ir, fardado, aí, Ostentando galões de velha prata, E de costas voltadas para ti, Formosa aristocrata!