Portuguese poem
Breves horas, que em rápida porfia
by Cláudio Manuel da Costa (1729–1789)
Breves horas, que em rápida porfia Ides seguindo infausto movimento, Oh como o vosso curso foi violento, Quando soubestes, que eu vos possuía!
Já crédito vos dava; porque via Avultar meu feliz contentamento: Que é mui fácil num triste estar atento Aos enganos, que pinta a fantasia.
Logrou-se o vosso fim; que foi levar-me Da falsa glória, do fingido gosto Ao cume, donde venho a despenhar-me:
Assim a lei do fado tem disposto, Que haja o instantâneo bem de lisonjear-me; Por que o estrago, me diga, que é suposto.