Portuguese poem
Este é o rio, a montanha é esta
by Cláudio Manuel da Costa (1729–1789)
Este é o rio, a montanha é esta, Estes os troncos, estes os rochedos; São estes inda os mesmos arvoredos; Esta é a mesma rústica floresta.
Tudo cheio de horror se manifesta, Rio, montanha, troncos, e penedos; Que de amor nos suavíssimos enredos Foi cena alegre, e urna é já funesta.
Oh quão lembrado estou de haver subido Aquele monte, e as vezes, que baixando Deixei do pranto o vale umedecido!
Tudo me está a memória retratando; Que da mesma saudade o infame ruído Vem as mortas espécies despertando.