Portuguese poem
Não se passa, meu bem, na noite, e dia
by Cláudio Manuel da Costa (1729–1789)
Não se passa, meu bem, na noite, e dia Uma hora só, que a mísera lembrança Te não tenha presente na mudança, Que fez, para meu mal, minha alegria.
Mil imagens debuxa a fantasia, Com que mais me atormenta e mais me cansa: Pois se tão longe estou de uma esperança, Que alívio pode dar me esta porfia!
Tirano foi comigo o fado ingrato; Que crendo, em te roubar, pouca vitória, Me deixou para sempre o teu retrato:
Eu me alegrara da passada glória, Se quando me faltou teu doce trato, Me faltara também dele a memória.