Portuguese poem
Não de tigres as testas descarnadas
by Cláudio Manuel da Costa (1729–1789)
Não de tigres as testas descarnadas, Não de hircanos leões a pele dura, Por sacrifício à tua formosura, Aqui te deixo, ó Lise, penduradas:
Ânsias ardentes, lágrimas cansadas, Com que meu rosto enfim se desfigura, São, bela ninfa, a vítima mais pura, Que as tuas aras guardarão sagradas.
Outro as flores, e frutos, que te envia, Corte nos montes, corte nas florestas; Que eu rendo as mágoas, que por ti sentia:
Mas entre flores, frutos, peles, testas, Para adornar o altar da tirania, Que outra vítima queres mais, do que estas ?