Versos Portuguese Cláudio Manuel da Costa Neste álamo sombrio, aonde a escura

Portuguese poem

Neste álamo sombrio, aonde a escura

by (1729–1789)

Listen in the reader

Neste álamo sombrio, aonde a escura Noite produz a imagem do segredo; Em que apenas distingue o próprio medo Do feio assombro a hórrida figura;

Aqui, onde não geme, nem murmura Zéfiro brando em fúnebre arvoredo, Sentado sabre o tosco de um penedo Chorava Fido a sua desventura.

As lágrimas a penha enternecida Um rio fecundou, donde manava D’ânsia mortal a cópia derretida:

A natureza em ambos se mudava; Abalava-se a penha comovida; Fido, estátua da dor, se congelava.