Portuguese poem
Os olhos tendo posto, e o pensamento
by Cláudio Manuel da Costa (1729–1789)
Os olhos tendo posto, e o pensamento No rumo, que demanda, mais distante; As ondas bate o Grego Navegante, Entregue o leme ao mar, a vela ao vento
Em vão se esforça o harmonioso acento Da sereia, que habita o golfo errante; Que resistindo o espírito constante, Vence as lisonjas do enganoso intento.
Se pois, ninfas gentis, rompe a Cupido O arco, a flecha, o dardo, a chama acesa De um peito entre os heróis esclarecido;
Que vem buscar comigo a néscia empresa, Se inda mais, do que Ulisses atrevido, Sei vencer os encantos da beleza!