Portuguese poem
Que tarde nasce o Sol, que vagaroso!
by Cláudio Manuel da Costa (1729–1789)
Que tarde nasce o Sol, que vagaroso! Parece, que se cansa, de que a um triste Haja de aparecer: quanto resiste A seu raio este sítio tenebroso!
Não pode ser, que o giro luminoso Tanto tempo detenha: se persiste Acaso o meu delírio! se me assiste Ainda aquele humor tão venenoso!
Aquela porta ali se está cerrando; Dela sai um pastor: outro assobia, E o gado para o monte vai chamando.
Ora não há mais louca fantasia! Mas quem anda, como eu, assim penando, Não sabe, quando é noite, ou quando é dia.