Versos Portuguese Cláudio Manuel da Costa Sonha em torrentes d'água, o que abrasado

Portuguese poem

Sonha em torrentes d'água, o que abrasado

by (1729–1789)

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Sonha em torrentes d'água, o que abrasado Na sede ardente está; sonha em riqueza Aquele, que no horror de uma pobreza Anda sempre infeliz, sempre vexado:

Assim na agitação de meu cuidado De um contínuo delírio esta alma presa, Quando é tudo rigor, tudo aspereza, Me finjo no prazer de um doce estado.

Ao despertar a louca fantasia Do enfermo, do mendigo, se descobre Do torpe engano seu a imagem fria:

Que importa pois, que a idéia alívios cobre, Se apesar desta ingrata aleivosia, Quanto mais rico estou, estou mais pobre.