Portuguese poem
Desengano
by Constantino José Gomes de Souza (1825–1875)
Era tudo hypocrisia ! N’alma nem um sentimento Do verbo que proferira Proferindo o juramento… Se um anjo os labios abriu Para jurar, e mentir Em nome da divindade ; Se aquella vestal, tão pura, Tornou-se, meu Deus, perjura, Onde é que existe a verdade?
Foi n’uma noite de maio ; E do céu a sentinella Nocturna mandava um raio Velar no aposento d’ella. E eu, a sós co’os meus amores, Entre os effluvios das flores, Qu’embalsamam seu jardim, Tinha o joelho no chão, Nos labios o coração, Batendo de amor sem fim.
Eu lhe dizia :—por Deus, Mulher celeste, sê-minha, Que nos rudes versos meus Hei-de cantar-te rainha. Será tão grande o meu canto, Hei-de requintal-o tanto, Tão alto farei que assome, Que o universo assombrado, De meu canto extasiado, Ao cèo levará teu nome.