Portuguese poem
Allucinação
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Ó solidão do Mar, ó amargor das vagas, Ondas em convulsões, ondas em rebeldias, Desespero do Mar, furiosa ventania, Bocca em fél dos tritões engasgada de pragas.
5Velhas chagas do sol, ensanguentadas chagas De occasos purpuraes de atroz melancholia, Luas tristes, fataes, da atra mudez sombria De tragica ruina em vastidões preságas.
Para onde tudo vae, para onde tudo vôa,
10Sumido, confundido, esboroado, á tôa, No cháos tremendo e nú dos tempos a rolar?
Que Nirvana genial ha de engolir tudo isto, Mundos de Inferno e Céo, de Judas e de Christo, Luas, chagas do sól e turbilhões do Mar?!