Portuguese poem
Alma Antiga
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Põe a tua alma francamente aberta Ao sol que pelos páramos faísca, Que o sol para a tua alma velha e prisca Deve de ser como um clarim de alerta.
Desperta, pois, por entre o sol, desperta Como de um ninho a pomba quente e arisca À luz da aurora que dos altos risca De listrões d’ouro a vastidão deserta.
Vai por abril em flores gorgeando Como pássaro exul as canções leves Que os ventos vão nas árvores deixando.
E tira da tua alma, ó doce amiga, Almas serenas, puras como a neve, Almas mais novas que a tua alma antiga!