Portuguese poem
Amor
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Nas largas mutações perpétuas do universo O amor é sempre o vinho enérgico, irritante... Um lago de luar nervoso e palpitante... Um sol dentro de tudo altivamente imerso.
Não há para o amor ridículos preâmbulos, Nem mesmo as convenções as mais superiores; E vamos pela vida assim como os noctâmbulos à fresca exalação salúbrica das flores...
E somos uns completos, célebres artistas Na obra racional do amor — na heroicidade, Com essa intrepidez dos sábios transformistas.
Cumprimos uma lei que a seiva nos dirige E amamos com vigor e com vitalidade, A cor, os tons, a luz que a natureza exige!...