Portuguese poem
Anda-me a alma inteira de tal sorte
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Anda-me a alma inteira de tal sorte, Meus gozos, meu pesar, nos dela unidos Que os dela são também os meus sentidos, Que o meu é também dela o mesmo norte.
Unidos corpo a corpo — um elo forte Nos prende eternamente — e nos ouvidos Sentimos sons iguais. Vemos floridos Os sons do porvir, em azul coorte...
O mesmo diapasão musicaliza Os seres de nos dois — um sol irisa Os nossos corações — dá luz, constela...
Anda esta vida, espiritualizada Por este amor — anda-me assim — ligada A minha sombra com a sombra dela.