Portuguese poem
Cristais
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Mais claro e fino do que as finas pratas O som da tua voz deliciava... Na dolencia velada das sonatas Como um perfume a tudo perfumava.
Éra um som feito luz, éram volatas Em languida espiral que illuminava, Brancas sonoridades de cascatas... Tanta harmonia melancolisava.
Philtros subtis de melodias, de ondas De cantos voluptuosos como rondas De sylphos leves, sensuaes, lascivos...
Como que anceios invisiveis, mudos, Da brancura das sêdas e velludos, Das virgindades, dos pudôres vivos.