Portuguese poem
Cristo e a Adúltera
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Sente-se a extrema comoção do artista No grupo ideal de plácida candura, Nesse esplendor tão fino da escultura Para onde a luz de todo o olhar enrista.
Que campo, ali, de rútila conquista Deve rasgar, do mármore na alvura, O estatuário — que amplidão segura Tem — de alma e braço, de razão e vista!
Vê-se a mulher que implora, ajoelhada, A mais serena compaixão sagrada De um Cristo feito a largos tons gloriosos.
De um Nazareno compassivo e terno, D'olhos que lembram, cheios de falerno, Dois inefáveis corações piedosos!