Portuguese poem
Da mundana lida, eis que cansado
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Da mundana lida, eis que cansado, Co’a lira toda espedaçada, A alma de suspiros retalhada, Cumpre o infeliz seu triste fado.
Ai! que viver mais desgraçado!... Que sorte tão crua e desazada!... Quem assim tem a vida amargurada Antes já morrer, ser sepultado.
Só eu triste padeço feras dores, Imensas e de fel, sem terem fim, Envolto no véu dos dissabores.
Oh! Cristo eu não sei se só a mim Deste essa vida d’amargores, Pois que é demais sofrer-se assim!