Portuguese poem
Deus do Mal
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Espírito do Mal, ó deus perverso Que tantas almas dúbias acalentas, Veneno tentador na luz disperso Que a própria luz e a própria sombra tentas.
Símbolo atroz das culpas do Universo, Espelho fiel das convulsões violentas Do gasto coração no lodo imerso Das tormentas vulcânicas, sangrentas.
Toda a tua sinistra trajetória Tem um brilho de lágrima ilusória, As melodias mórbidas do Inferno...
És Mal, mas sendo Mal és soluçante, Sem a graça divina e consolante, Réprobo estranho do Perdão eterno!