Portuguese poem
Êxtase búdico
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Abre-me os braços, Solidão profunda, Reverência do céu, solenidade Dos astros, tenebrosa majestade, Ó planetária comunhão fecunda!
Óleo da noite, sacrossanto, inunda Todo o meu ser, dá-me essa castidade, As azuis florescências da saudade, Graça das graças imortais oriunda!
As estrelas cativas no teu seio Dão-me um tocante e fugitivo enleio, Embalam-me na luz consoladora!
Abre-me os braços, Solidão radiante, Funda, fenomenal e soluçante, Larga e búdica Noite Redentora!