Portuguese poem
Êxtase de Mármore
by Cruz e Sousa (1861–1898)
O mármore profundo e cinzelado De uma estátua viril, deliciosa; Essa pedra que geme, anseia e goza Num misticismo altíssimo e calado;
Essa pedra imortal — campo rasgado A comoção mais íntima e nervosa Da alma do artista, de um frescor de rosa, Feita do azul de um céu muito azulado;
Se te visse o clarão que pelos ombros Teus, rola, cai, nos múltiplos assombros Da Arte sonora, plena de harmonia;
O mármore feliz que é muito artista Também — como tu és — à tua vista De humildade e ciúme, coraria!