Versos Portuguese Cruz e Sousa Inverno

Portuguese poem

Inverno

by (1861–1898)

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Amanheceu — no topo da colina Um céu de madrepérola se arqueia Limpo, lavado, reluzindo — ondeia O perfume da selva esmeraldina.

Uma luz virginal e cristalina, Como de um rio a transbordante cheia, Alaga as terras culturais e arreia De pingos d'ouro os verdes da campina.

Um sol pagão, de um louro gema d'ovo, Já tão antigo e quase sempre novo Surge na frígida estação do inverno.

— Chilreiam muito em árvores frondosas Pássaros — fulge o orvalho pelas rosas Como o vigor no espírito moderno.