Portuguese poem
Mudez pervérsa
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Que mudez infernal teus labios sérra Que ficas vago, para mim olhando, Na attitude da pedra, concentrando No entanto, n'alma, convulsões de guerra!
5A mim tal fél essa mudez encérra, Taes demonios revéis a estão forjando, Que antes te visse morto, desabando Sobre o teu corpo gróssas pás de terra.
Não te quizéra nesse atroz e summo
10Mutismo horrivel que não géra nada, Que não diz nada, não tem fundo e rumo.
Mutismo de tal dôr desesperada, Que, quando o vou medir com o estranho prumo Da alma, fico com a alma allucinada!