Portuguese poem
Na Luz
by Cruz e Sousa (1861–1898)
De soluço em soluço a alma gravita, De soluço em soluço a alma estremece, Anseia, sonha, se recorda, esquece E no centro da Luz dorme contrita.
Dorme na paz sacramental, bendita, Onde tudo mais puro resplandece, Onde a Imortalidade refloresce Em tudo, e tudo em cânticos palpita.
Sereia celestial entre as sereias, Ela só quer despedaçar cadeias, De soluço em soluço, a alma nervosa.
Ela só quer despedaçar algemas E respirar nas amplidões supremas, Respirar, respirar na Luz radiosa.