Portuguese poem
No seio da Terra
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Do pélago dos pélagos sombrios, Cá do seio da Terra, olhando as vidas, Escuto o murmurar de almas perdidas, Como o secreto murmurar dos rios.
Trazem-me os ventos negros calafrios E os loluços das almas doloridas Que têm sede das terras prometidas E morrem como abutres erradios.
As ânsias sobem, as tremendas ânsias! Velhices, mocidades e as infâncias Humansa entre a Dor se despedaçam...
Mas, sobre tantos convulsivos gritos, Passam horas, espaços, infinitos, Esferas, gerações, sonhando, passam!