Versos Portuguese Cruz e Sousa No Egito

Portuguese poem

No Egito

by (1861–1898)

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Sob os ardentes sóis do fulvo Egito De areia estuosa, de candente argila, Dos sonhos da alma o turbilhão desfila, Abre as asas no páramo infinito.

O Egito é sempre o amigo, o velho rito Onde um mistério singular se asila E onde, talvez mais calma, mais tranqüila A alma descansa do sofrer prescrito.

Sobre as ruínas d’ouro do passado, No céu cavo, remoto, ermo e sagrado, Torva morte espectral pairou ufana...

E no aspecto de tudo em torno, em tudo, Árido, pétreo, silencioso, mudo, Parece morta a própria dor humana!