Portuguese poem
O Sonho do Astrólogo
by Cruz e Sousa (1861–1898)
As fulgurosas, rútilas estrelas Como mundos de mundos seculares, Formando uns arquipélagos, uns mares De luz — como eu deslumbro o olhar ao vê-las.
Ah! se como eu sei compreendê-las, Sentir-lhes os seus filtros salutares, Pudesse, da amplidão fria dos ares Arrancá-las, na mão sempre trazê-las;
Que vagalhões de assombros palpitantes Não me viriam perpassar, faiscantes, Dentro do ser, nuns doutros murúrios.
Eu saberia muito mais a causa Da evolução que nunca teve pausa, Que é uma audácia transbordando em rios.