Portuguese poem
O Seu Boné
by Cruz e Sousa (1861–1898)
É um boné ideal, de feltros e de plumas, Que ela usa agora, assim como um turbante Turco, aveludado, doce como algumas Nuvens matinais que rolam no levante.
Lembro quando ao vê-lo a rubra marselhesa, Lembro sensações e cousas de prodígio E penso que ele tem a máscula grandeza Desse sedutor, vital barrete frígio!...
Às vezes meu olhar medindo-lhe o contorno E a flácida plumagem que serve-lhe d’adorno, — satânico, voraz, esplêndido de fé!
Exclama num idílio cândido e singelo, Por entre as convulsões artísticas do Belo; — Oh! tem coração e alma, esse boné!...