Portuguese poem
O Grande Sonho
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Sonho profundo, ó Sonho doloroso, Doloroso e profundo Sentimento! Vai, vai nas harpas trêmula do vento Chorar o teu mistério tenebroso.
Sobe dos astros ao clarão radioso, Aos leves fluidos do luar nevoento, Às urnas de cristal do firmamento, Ó velho Sonho amargo e majestoso!
Sobe às estrelas rútilas e frias, Brancas e virginais eucaristias De onde uma luz de eterna paz escorre.
Nessa Amplidão das Amplidões austeras Chora o Sonho profundo das Esferas Que nas azuis Melancolias morre...