Portuguese poem
O Mar
by Cruz e Sousa (1861–1898)
Que nostalgia vem das tuas vagas, Ó velho mar, ó lutador Oceano! Tu de saudades íntimas alagas O mais profundo coração humano.
Sim! Do teu choro enorme e soberano, Do teu gemer nas desoladas plagas Sai o quer que é, rude sultão ufano, Que abre nos peitos verdadeiras chagas.
Ó mar! ó mar! embora esse eletrismo, Tu tens em ti o gérmen do lirismo, És um poeta lírico demais.
E eu para rir com humor das tuas Nevroses colossais, bastam-me as luas Quando fazem luzir os seus metais...