Portuguese poem
Ultima Supplica
by Ernesto Pires (1857–1884)
Eu tenho os olhos gastos por chorar-te, Por tua ausencia eu trago o peito anceado, Procuro-te no espaço illimitado, No mar, na terra, emfim em toda a parte.
Embora a mente julgue divisar-te No seio d'uma estrella, illuminado Ou d'uma flôr no calix perfumado, Nem sei aonde vá para adorar-te.
Tudo me falla em ti!... Ninguem me escuta Se busco em ti fallar, visão perdida! De dôr assim o coração se enlucta.
Immaculado amor, pomba fugida, Da sombra aonde estás termina a lucta A quem por te não ver morre na vida.