Portuguese poem
Vita Nuova
by Ernesto Pires (1857–1884)
Senhora de minh'alma, a suavidade Dos teus labios gentis tornou-me á vida; Tinha a esperança morta e já perdida E deu-lhe um beijo teu vitalidade.
Passou a dor mimosa da saudade, Surgiu no oriente a aurora apetecida, Brotou a flôr, ha muito emmurchecida, A bella flôr d'alegre mocidade.
Agora canto o sol, as philomelas, O vasto mar, as lucidas estrellas, A noite escura e a branca luz da alva.
Lasaro resurgi da terra fria, Abrindo o olhar já baço á luz do dia... --É que um beijo, senhora, tambem salva.