Portuguese poem
Glosa
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Minha alma sabe-me a antiga Mas sou de minha lembrança, Como um eco, uma cantiga.
Bem sei que isto não é nada, Mas quem dera a alma que seja O que isto é, como uma estrada.
Talvez eu fosse feliz Se houvesse em mim o perdão Do que isto quase diz.
Porque o esforço é vil e vão, A verdade, quem a quis? Estuta só, meu coração.