Versos Portuguese Fernando Pessoa Gnomos do luar que faz selvas

Portuguese poem

Gnomos do luar que faz selvas

by (1888–1935)

Listen in the reader

Gnomos do luar que faz selvas As florestas sossegadas, Que sois silêncios nas relvas, E em almas abandonadas Fazeis sombras enganadas,

Que sempre se a gente olha Acabastes de passar E só um tremor de folha Que o vento pode explicar Fala de vós sem falar,

Levai-me no vosso rastro, Que em minha alma quero ser Como vosso corpo, um astro Que só brilha quando houver Quem o suponha sem ver.

Ah, sentir tudo de todos os feitios! Não ter alma, não ter Só diversos modos — Seja eu leitura variada Para mim mesmo!

Assim eu que canto ou choro Quero velar-me e partir. Lembrando o que não memoro, Alguém me saiba sentir, Mas ninguém me definir.