Versos Portuguese Fernando Pessoa O Esplendor

Portuguese poem

O Esplendor

by (1888–1935)

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E o esplendor dos mapas, caminho abstrato para a imaginação concreta, Letras e riscos irregulares abrindo para a maravilha.

O que de sonho jaz nas encadernações vetustas, Nas assinaturas complicadas (ou tão simples e esguias) dos velhos livros.

(Tinta remota e desbotada aqui presente para além da morte, O que de negado à nossa vida quotidiana vem nas ilustrações, O que certas gravuras de anúncios sem querer anunciam.

Tudo quanto sugere, ou exprime o que não exprime, Tudo o que diz o que não diz, E a alma sonha, diferente e distraída.

Ó enigma visível do tempo, o nada vivo em que estamos!