Portuguese poem
O grande sol na eira
by Fernando Pessoa (1888–1935)
O grande sol na eira Talvez seja o remédio Não quero quem me queira Amarem-me faz tédio.
Baste-me o beijo intacto Que a luz dá a luzir E o amor alheio e abstracto De campos a florir.
O resto é gente e alma: Complica, fala, vê. Tira-me o sonho e a alma E nunca é o que é.