Portuguese poem
O Mestre._
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Na noite negra e antiga Ha só a luz do Pharol: Ora loira, côr do sol, Ora vermelha, inimiga.
No seio negro e profundo Da noite em treva dormindo O Pharol é Outro Mundo, Ora chorando, ora rindo.
Na noite negra, afinal, Tudo a elle se limita: Só o pharol é real!
A treva nunca tem fim, Ó sensação infinita, --Sou já só Pharol de Mim!
_Junho, 1915._
* * * * *
Toda a minh'Alma se prende Naquella forma de graça; Mas não é na forma viva Mas sim na Linha que passa.
Toda a minh'Alma se prende, Bate as Asas--esvoaça... E é como a sombra distante D'aquella Linha que passa.
A vida é só o Espaço Que vai da propria Linha Á sombra d'ella num traço.
Quando a Morte fôr vizinha, Fundidas no mesmo Espaço Será tudo a mesma Linha.
_Junho, 1915._
_A ALVARO DE CAMPOS,