Versos Portuguese Fernando Pessoa O Quinto Império

Portuguese poem

O Quinto Império

by (1888–1935)

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Triste de quem vive em casa, Contente com o seu lar, Sem que um sonho, no erguer de asa, Faça até mais rubra a brasa Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz! Vive porque a vida dura. Nada na alma lhe diz Mais que a lição da raiz — Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem No tempo que em eras vem. Ser descontente é ser homem.

Que as forças cegas se domem Pela visão que a alma tem!

E assim, passados os quatro Tempos do ser que sonhou, A terra será theatro Do dia claro, que no atro Da erma noite começou.

Grecia, Roma, Christandade, Europa — os quatro se vão Para onde vae toda edade. Quem vem viver a verdade Que morreu D. Sebastião?