Portuguese poem
Oscila o incensório antigo
by Fernando Pessoa (1888–1935)
Oscila o incensório antigo Em fendas e ouro ornamental. Sem atenção, absorto sigo Os passos lentos do ritual.
Mas são os braços invisíveis E são os cantos que não são E os incensórios de outros níveis Que vê e ouve o coração.
Ah, sempre que o ritual acerta Seus passos e seus ritmos bem, O ritual que não há desperta E a alma é o que é, não o que tem.
Oscila o incensório visto, Ouvidos cantos stão no ar, Mas o ritual a que eu assisto É um ritual de relembrar.
No grande Templo antenatal, Antes de vida e alma e Deus... E o xadrês do chão ritual É o que é hoje a terra e os céus...