Versos Portuguese Florbela Espanca O Meu Condão

Portuguese poem

O Meu Condão

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Quis Deus dar-me o condão de ser sensível Como o diamante à luz que o alumia, Dar-me uma alma fantástica, impossível: —Um bailado de côr e fantasia!

Quis Deus fazer de ti a ambrosia Desta paixão estranha, ardente, incrível! Erguer em mim o facho inextinguível, Como um cinzel vincando uma agonia!

Quis Deus fazer-me tua... para nada! —Vãos, os meus braços de crucificada, Inúteis, êsses beijos que te dei!

Anda! Caminha! Aonde?... Mas por onde? Se a um gesto dos teus a sombra esconde O Caminho de estrêlas que tracei...