Versos Portuguese Frei Caneca Entre Marília e a pátria

Portuguese poem

Entre Marília e a pátria

by (1779–1825)

Listen in the reader

Entre Marília e a pátria Coloquei meu coração: A pátria roubou-m'o todo; Marília que chore em vão.

Quem passa a vida que eu passo, Não deve a morte temer; Com a morte não se assusta Quem está sempre a morrer.

A medonha catadura Da morte feia e cruel, Do rosto só muda a cor Da pátria ao filho infiel.

Tem fim a vida daquele Que a pátria não soube amar; A vida do patriota Não pode o tempo acabar.

O servil acaba inglório Da existência a curta idade; Mas não morre o liberal, Vive toda a eternidade.

Entre Marília e a pátria Coloquei meu coração: A pátria roubou-m'o todo; Marília que chore em vão.

Marília, pede a teus filhos, Por minha própria abenção, Morram, como eu, pela pátria; Marília que chore em vão.

Apenas forem crescendo, Cresçam co'as armas na mão, Saibam morrer, como eu morro; Marília que chore em vão.

Defender os pátrios lares, É dever do cidadão. Quando exalem pela pátria; Marília que chore em vão.