Portuguese poem
A Mangueira
Já viste cousa mais bella Do que uma bella mangueira, E a doce fruta amarella, Sorrindo entre as folhas della, E a leve copa altaneira? Já viste cousa mais bella Do que uma bella mangueira?
Nos seus alegres verdores. Se embalança o passarinho; Todo é graça, todo amores, Decantando seus ardores Á beira do casto ninho: Nos seos alegres verdores Se embalança o passarinho!
O cansado viandante Á sombra della acha abrigo; Traz-lhe a aragem sussurrante, Que lhe passa no semblante, Talvez o adeos d’um amigo; E o cançado viandante A sombra della acha abrigo.
A sombra que ella derrama Todas as dôres acalma; Seja dôr que o peito inflamma, Ou voraz, nociva chamma Que nos mora dentro d’alma, A sombra que ella derrama Todas as dôres acalma.
O mancebo namorado Para ella se encaminha; Bate-lhe o peito açodado, Quando chega o praso dado, Quando ao tronco se avisinha, E o mancebo namorado Para o tronco se encaminha.
Sob a copa deleitosa Mil suspiros se entrelação, E d’uma hora aventurosa
Guarda a prova a casca annosa Nas cifras que ali se abração: Sob a copa venturosa Mil suspiros se entrelação.
Grata estação dos amores, Abrigo dos que o não tem, Deixa-me ouvir teos cantores, Admirar teos verdores; Presta-me abrigo tambem, Grata estação dos amores, Abrigo dos que o não tem.