Portuguese poem
Epicédio
Seu rosto pálido e belo Já não tem vida nem cor! Sobre ele a morte descansa, Envolta em baço palor.
Cerraram-se olhos tão puros, Que tinham tanto fulgor; Coração que tanto amava Já hoje não sente amor;
Que o anjo belo da morte A par desse anjo baixou! Trocaram brandas palavras, Que Deus somente escutou.
Ventura, prazer, ledice Duma outra vida contou; E o anjo puro da terra Prazer da terra enjeitou.
Depois co'as asas candentes O formoso anjo do céu Roçou-lhe a face mimosa, Cobriu-lhe o rosto co'um véu.
Depois o corpo engraçado Deixou à terra sem vida, De tênue palor coberto, - Verniz de estátua esquecida.
E bela assim, como um lírio Murcho da sesta ao ardor, Teve a inocência dos anjos, Tendo o viver duma flor.
Foi breve! - mas a desgraça A testa não lhe enrugou, E aos pés do Deus que a crIara Alma inda virgem levou.
Sai da larva a borboleta, Sai da rocha o diamante, De um cadáver mudo e frio Sai uma alma radiante.
Não choremos essa morte, Não choremos casos tais; Quando a terra perde um justo, Conta um anjo o céu de mais.