Portuguese poem
Basta, Senhor Capitão
by Gregório de Matos (1636–1696)
Basta, Senhor Capitão, que se recebeu Você? estimo muito: porque deu à terra um alegrão: a este himeneu lhe dão os parabéns, os que o vêem, e eu lhos darei também: porque é razão natural, que como sinto o seu mal folgue também com seu bem.
A Noiva, que você goza, partes tem para querida, é nobre, é bem entendida, é rica, e muito formosa: não tem finalmente cousa, das que a malícia reprova: não é velha, é muito nova, dizem, que honrada seria, o que você provaria, quando lhe tirou a prova.
Bem mostra, que com quatro olhos buscou tão bela consorte, porque mulher de tal porte não se enxerga sem antolhos: livre está você de abrolhos, meu Capitão de Couraças, de que pode a Deus dar graças; mas repare nos retornos, não se convertam em cornos essas luzentes vidraças.
Que a mulher, que se requesta, ou seja dama, ou casada, de quem se vê mais amada, põe logo o dado na testa: e veja você, que desta ter muitos zelos convinha, que, quem foi levianazinha, não é grande maravilha, siga os passos, como filha da mãe, que vai pela vinha.
Você no ardente aparelho além de ser grão soldado, me parece sutil galgo no alcançar deste Coelho: mui honrado fica o velho da sua filha lhe dar para com você casar: porque sabe sem descontos dessa fidalguia os pontos e entende do seu Solar.
Só duas mães feiticeiras tal casamento fariam, que já de putas viviam, e hoje só de alcoviteiras: estas duas medianeiras com redomas, e ungüentos, Circes nos encantamentos fizeram com seus assaltos vossos pensamentos altos sujos, e vis pensamentos.
Fizeram estas traidoras com seus feitiços sutis semelhantes os ardis das Circes encantadoras: as quais com traças sonoras (muitos nas fábulas leram) que alguns homens converteram em porcos: mas estas duas com feitiçarias suas mais do que porco o fizeram.