Portuguese poem
Ó vultos ideaes, fantasticos e bellos
by Guilherme de Azevedo (1839–1882)
Ó vultos ideaes, fantasticos e bellos, Que ás vezes revoaes nas salas deslumbrantes, N'um grande mar de tulle, ethereas, fluctuantes. Aos suspiros fataes dos meigos violoncellos;
Que bom que era sonhar nos pallidos castellos, Á noite, á beira mar, nas solidões distantes, Nos tempos em que a flôr dos timidos amantes Á lua confiava os intimos anhelos!...
Agora sois gentis, despepticas, vistosas; Pagaes por alto preço as exquisitas rosas; Nos rapidos wagons correis o mundo em roda;
Mas prostradas do baile, amarrotando a luva, Emquanto cae na rua a somnolenta chuva, Scismaes no Deus-Milhão,—no Creador da moda!