Portuguese poem
Coro
by João de Deus
--O teu amado... responde, Formosura sem igual! Ha tantos onde escolher Que é necessario um signal. Qual é o signal por onde Havemos de o conhecer?
--Eu vos digo: o meu amado, D'aquellas côres no mundo, Estou que não ha segundo; É muito branco e córado. A cabeça é um thesoiro Do que ha de mais principal; Que a sabedoria vale Mais do que a prata e o oiro.
De negro que é o cabello, Vêr um corvo, é mesmo vêl-o.
Os olhos, aquelle olhar, Ha n'elles uma doçura, Que não sei a que os compare; Só sendo a um casalinho De pombas, que estão no ninho, Todas pureza e candura.
As suas faces rosadas, Rescendem como um canteiro D'aquellas plantas de cheiro De que fazem as pomadas.
A bocca, digo a verdade, Que a açucena mais pura Cheia da myrrha melhor Não apresenta a doçura, Pureza e suavidade Das fallas do meu amor.
Aquelles dedos, vereis, São uns canudos de anneis!
O ventre d'elle é assim Como um cofre de marfim. As pernas, de musculosas, São columnas magestosas E de marmore inteiriço Em bases de oiro maciço. É o Libano em altura, É como um cedro na matta A sua bella figura.
É tão suave, tão pura A sua voz, que arrebata.
Todo elle é singular E todo de cubiçar. Eil-o ahi retratado, Moças de Jerusalem! E não só o meu amado; O meu amante tambem.