Versos Portuguese João de Deus Desanimo

Portuguese poem

Desanimo

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Que mimos me confortam? Que doce luz me acena? Eu tenho muita pena De ter nascido até!

Quizera antes ao pé D'uma arvore frondosa Ter já em cima a lousa E descançar emfim!

Alli, nem tu de mim De certo te lembravas, Nem estas feras bravas Me iriam assaltar!

Alli, teria um ar Mais puro e respiravel, E a paz imperturbavel De quem, emfim, morreu!

D'alli, veria o céo Ora sereno e puro, Ora toldado e escuro... Ainda assim melhor,

Que este areal de amor Onde ando ao desamparo, Onde a ninguem sou caro E nem, a mim, ninguem!

Alli passára eu bem A noite derradeira Á sombra hospitaleira Que mais ninguem me dá!

Tu mesma, que não ha Quem eu mais queira e ame, Quem a minha alma inflamme De mais ardente amor,

Os ais da minha dôr A ti o que te importam? Teus olhos nem supportam A minha vista ao pé!

Que mimos me confortam? Que dôce luz me acena? Eu tenho muita pena De ter nascido até!